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Press Book Estréia: 11 de Fevereiro de 2000 Bodas de sangre Um filme de Carlos Saura Espanha, 1981 / 72min Festival de Cannes de 1981 Seleção oficial, hors councours SINOPSE Bodas de sangue é uma autêntica celebração do que a cultura espanhola produziu de melhor. Antonio Gades, gênio da dança flamenca, transformou em balé uma das mais populares histórias de Federico Garcia Lorca, sobre uma trágica cerimônia de casamento. E Carlos Saura a filmou de forma despojada, como se fosse um simples ensaio de uma companhia de dança. A câmera mostra os camarins e o palco onde os dançarinos estão fazendo um "ensaio corrido" do espetáculo, dividido em seis partes. Na primeira cena, uma mãe ajuda seu filho a vestir o traje nupcial quando descobre com ele uma faca, que ela pega e esconde. Na segunda cena, o espectador conhece Leonardo (Antonio Gades), e vê-se uma incrível seqüência demonstrando o ciúme enfurecido de sua mulher. O motivo: Leonardo está apaixonado por uma jovem justamente a que está de casamento marcado. A terceira cena é como um sonho em que Leonardo e sua amada, a noiva prometida a outro, imaginam que estão juntos e felizes. Na quarta cena ocorre a cerimônia de casamento propriamente dita. Em um instante em que o noivo deixa a noiva sozinha, Leonardo e ela dançam juntos. Na quinta cena, a mãe do noivo lhe dá de volta a faca, e na sexta e derradeira, se dá o encontro fatal entre os dois rivais. Bodas de sangue é o primeiro filme de uma trilogia flamenca que se completa com Carmen (1983) e Amor Bruxo (1986). Em 1995, Saura voltou à dança quando filmou Flamenco. CARLOS SAURA Nascido em Aragon, Espanha, em 1932, Carlos Saura começou a carreira como fotógrafo. Em 1952 resolveu estudar cinema. Apesar de problemas com a censura, Saura nunca saiu da Espanha e tornou-se um dos diretores mais importantes do país. Sua obra oscila entre a crítica às instituições e à família espanhola e a exaltação de suas riquezas culturais (caso da trilogia flamenca, ode à música e à dança do país). No Festival de Berlim, o cineasta já ganhou o Urso de Ouro (em 1981, pelo filme Deprisa, Deprisa) e, por duas vezes, foi eleito o melhor diretor (em 1966, por La caza, e em 1964, por Peppermint frappé). Cria cuervos, um dos melhores filmes sobre a infância já feitos, levou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 1976. Filmografia principal 1964: Pepermint frappé 1966: La caza 1970: O jardim das delícias 1972: Ana e os lobos 1973: Cria cuervos 1975: Elisa, vida minha 1977: Olhos vendados 1978: Mamãe faz cem anos 1981: Deprisa, Deprisa Bodas de sangue 1982: Antonieta 1983: Carmen 1986: O Amor Bruxo 1987: El Dorado 1988: La noche escura 1990: Ai, Carmela 1993: Dispara 1995: Flamenco 1996: Taxi 1997: Pajarico 1998: Tango 1999: Goya
ANTONIO GADES Antonio Gades nasceu em Madri e começou a dançar em 1952, com 16 anos. Em 1953 foi chamado por Pilar Gomez, que ele sempre considerou uma grande mestre, para integrar sua companhia de dança. Permaneceu lá até 1960, quando começou a assinar coreografias para a Ópera de Roma. Depis, foi chamado pelo prestigiadíssimo La Scala de Milão para ser o primeiro bailarino da casa. Passou algum tempo em Paris para logo voltar a Madri e juntar um pequeno grupo de bailarinos que, mais tarde, se transformou em sua própria companhia de balé. Em 1968 e 1969, acumulou alguns prêmios com suas apresentações na França. Em 1978, foi escolhido diretor do Balé Nacional da Espanha. FEDERICO GARCIA LORCA Federico Garcia Lorca nasceu em Fuente Vaqueros, pequena cidade da Andaluzia, em 1898. Seus trabalhos combinam o espírito e o folclore da região com uma visão muito pessoal do mundo. De personalidade alegre e versátil, Lorca foi um músico dedicado, pintor entusiasmado ainda que um tanto limitado , além de um poeta e dramaturgo extremamente original. Por causa da saúde frágil que marcou sua infância, Lorca saiu da escola e passou a ser educado por um tutor contratado pelo pai, bem sucedido fazendeiro. Só depois que sua família mudou-se para Granada Lorca entrou na escola. Neste período, escreveu o primeiro livro, Impressiones e pasajes, publicado em 1918. Em 1921, por insistência do pai, que sonhava com uma carreira de advogado para o filho, Lorca foi para Madri. Lá escreveu Libro de poemas, e foi imediatamente integrado ao meio intelectual da capital espanhola. Conheceu Salvador Dali, de quem tornou-se amigo íntimo, e o cineasta Luís Buñuel. Como dramaturgo, seu maior sucesso foi Bodas de sangre, que recebeu uma montagem triunfal em Madri para logo ser montada no mundo todo. Mais tarde passaria a dirigir suas próprias peças, entre elas Dona Rosita, a solteira, Yerma e A casa de Bernarda Alba.
CARLOS SAURA SOBRE BODAS DE SANGUE "Alguns anos atrás um produtor sugeriu que eu fizesse uma adaptação cinematográfica de Bodas de sangue, mas recusei. É uma peça linda e um bom filme poderia ser feito a partir dela. Mas por que filmar uma obra de Lorca se ela já tinha uma linguagem perfeita e um ritmo apropriado na forma em que estava? Adaptar uma peça ou um livro sempre me pareceu uma espécie de traição... Antonio Gades, no entanto, resolveu esse problema de maneira fantástica, usando a linguagem que ele conhece melhor, a dança. As Bodas de sangue de Gades mostram um profundo respeito por Lorca. Ele conta a história dramática com um ritmo perfeito. Evitou estereótipos e enfatizou os aspectos cerimoniais e rituais da peça, dando-lhes mais poder por meio da dança e da música. Vi um ensaio do balé de Gades e fiquei fascinado. Ensaios de dança sempre me pareceram mais interessantes do que a performance em si. Talvez por ter sido um espectador privilegiado: podia observar os dançarinos de perto e via com detalhes seus esforços o suor, o cansaço, a respiração ofegante. Era essa fascinação que queria expressar no filme. Acima de tudo, procurava, com a câmera, alcançar os dançarinos fisicamente, com se fosse com as mãos."
CRÍTICAS "A combinação de Garcia Lorca, Carlos Saura e Antonio Gades se revela uma fascinante experiência estética, única em seu tratamento moderno do balé flamenco. É um deleite para qualquer pessoa com um fraco pela dança ou pelo drama." Variety, abril de 1981 "Ontem o Festival de Cannes mostrou fôlego pela primeira vez com a projeção de Bodas de sangue, filme dirigido por um Carlos Saura inspirado. O cineasta, Antonio Gades e ainda dois extraordinários bailarinos Cristina Hoyos e Juan Antonio Jimenez foram recebidos com longos e entusiasmados aplausos." Le Provençal, 17 de maio de 1981 "Enfim um filme que entusiasmou o público. Bodas de sangue, de Carlos Saura, é o evento mais importante do Festival de Cannes deste ano." Le Monde, 17 de maio de 1981 "O momento mais bonito do filme é o momento do duelo entre os rivais. Filmado como se fosse em câmera lenta, na verdade são os bailarinos que produzem esses movimentos de tirar o fôlego, capturando com perfeição o ritmo e a pureza do balé flamenco." FICHA TÉCNICA Direção: Carlos Saura Produção: Emiliano Piedra Coreografia: Antonio Gades Roteiro: Antonio Artero Música: Emilio de Diego Direção de fotografia: Teo Escamilla Montagem: Pablo del Amo Cenografia: Rafael Palmero Figurinos: Francisco Neiva
ELENCO Leonardo: Antonio Gades A noiva: Cristina Hoyos O noivo: Juan Antonio Jimenez A mãe do noivo: Pilar Cardenas A mulher de Leonardo: Carmen Villena Convidados do casamento: El Guito, Elvira Andres, Marisa Neila, Lario Diaz, Azucena Flores, Antonio Quitana, Candy Roman, Enrique Esteve, Cristina Gombau e Quico Franco. Violonistas: Emilio de Diego e Antonio Solera Cantores: Jose Merce e Gomez de Ferrez. |
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