Estação Virtual

 

 


Alice Gomes

Robert Bresson é considerado pela crítica um dos maiores e mais autênticos diretores do século. A Cinemateca francesa em abril do ano passado prestou uma homenagem a ele apresentando suas obras completas. O Ministério das Relações Exteriores da França está estendendo a homenagem ao mundo todo, através de suas embaixadas e consulados, com uma seleção dos filmes mais representativos do cineasta. No Brasil, a Mostra Robert Bresson teve início em São Paulo, seguiu para Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e termina no Rio, onde será apresentada no Estação Museu da República de 27de novembro a 03 de dezembro.

Nascido em Aubergine, França, em 1907, Bresson estudou literatura e filosofia, e ainda antes de se decidir pela carreira cinematográfica se dedicou a pintura. Em 34, dirige um média-metragem, Les Affaires Publiques, do qual todas as cópias desapareceram. Durante os anos 30, foi roteirista e assistente de direção, até ser interrompido pela Segunda Guerra Mundial, quando esteve preso por mais de um ano. O próprio diretor considera sua carreira iniciada somente após o primeiro longa, Les Anjes du Peché, de 43. Bresson fez treze longas-metragem de 1943 a 1983 e é mundialmente conhecido por seus filmes de temáticas fortes e personagens incomuns. O rigor é uma característica marcante do seu trabalho.

No início de carreira Bresson faz filmes tradicionais, isto é, com atores profissionais, com diálogos feitos por escritores como Cocteau, Giradoux ou Bernanos e com cortes relativamente clássicos. Em 56, ele filma Um condenado à morte escapou e rompe com este esquema tradicional, passando a não mais utilizar atores profissionais, a recortar a narrativa, colocar sons não-humanos mais altos que a voz e a dar seguimento aos acontecimentos segundo uma ordem imprevissível. As personagens rebeldes e insubmissas são constantes no trabalho de Bresson. Elas vivem o mal na própria pele e não têm saída, mas estão sempre tentando escapar ou fugir, material ou espiritualmente. Bresson leva o espectador para dentro da personagem, até as últimas conseqüências. Para destacar a sensação de aprisionamento das personagens o diretor utiliza um enquadramento mais fechado aliado à falta de intimidade na interpretação dos "modelos", nome dado por ele aos atores não profissionais com os quais trabalha. Alguns críticos dizem que a obra de Bresson tem um "excesso de inteligência e intelectualidade", e que por isso "o público não se sente à vontade diante de um filme como ‘As Damas do Bois de Boulogne’".

PROGRAMAÇÃO

SEXTA 27/11

15H30 - 19H30 - "LANCELOT"

17H30 - 21H30 - "A GRANDE TESTEMUNHA"

SÁBADO 28/11

15H30 - 19H30 - "PICKPOCKET, COMO ROUBAR COM INTELIÊNCIA"

17H30 - 21H30 - "AS DAMAS DO BOSQUE DE BOULOGNE"

DOMINGO 29/11

15H30 - 19H30 - "MOUCHETTE, A VIRGEM POSSUÍDA"

17H30 - 21H30 - "A PAIXÃO DE JOANA D'ARC"

SEGUNDA 30/11

15H30 - 19H30 - "A GRANDE TESTEMUNHA"

17H30 - 21H30 - "L'ARGENT"

TERÇA 01/12

15H30 - 19H30 - "A PAIXÃO DE JOANA D'ARC"

17H30 - 21H30 - "LANCELOT"

QUARTA 02/12

15H30 - 19H30 - "AS DAMAS DO BOSQUE DE BOULOGNE"

17H30 - 21H30 - "MOUCHETTE, A VIRGEM POSSUÍDA"

QUINTA 03/12

15H30 - 19H30 - "L'ARGENT"

17H30 - 21H30 - "PICKPOCKET, COMO ROUBAR COM INTELIÊNCIA"

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