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Hamlet

Jazmin Kuan Veng

Fratricídio, incesto, iniciação sexual, loucura, morte e desejo de vingança. Hamlet de William Shakespeare é tudo isso e mais um pouco. A história trágica do príncipe da Dinamarca, que há séculos arrebata platéias do mundo inteiro, não poderia deixar de seduzir também o diretor/ator Kenneth Branagh e um elenco de atores do porte de Gerard Depardieu, Derek Jacobi, John Gielgud, Richard Attenborough, Robin Williams, Julie Christie, Charlton Heston e, por que não, Billy Crystal - só para citar alguns. Em sua nova versão para o cinema, Hamlet é simplesmente estelar.

Financiado pela Castle Rock Entertainment, Branagh teve carta branca para buscar seus talentos dos dois lados do Atlântico entre atores mais experientes e marinheiros de primeira viagem em matéria de Shakespeare. "Achei que esse tipo de diversidade provocaria um saudável entrechoque de abordagens, que manteria essa versão a mais renovadora e original possível," explica o diretor.

Em seu sétimo longa-metragem como diretor, Branagh consolida sua trajetória como autor shakesperiano. Depois de Henrique V (1988) e Muito Barulho por Nada (1993) , considerada a adaptação mais rica do escritor inglês em mais de duas décadas, Sonho de Uma Noite de Inverno (1995) e Othello - filme de Oliver Parker em que estrelou como Iago - Branagh realiza um antigo e acalentado desejo.

"Alguem disse, certa vez" diz Branagh, "que o papel de Hamlet é uma argola através do qual todo ator precisa saltar, e eles têm feito isso a séculos. O papel é algo que gera uma enorme emoção em intérpretes e platéias...todo mundo conhece o nome Hamlet de William Shakespeare, mesmo que ele projete uma imagem de um cara deprimido vestido com uma malha."

E o cara deprimido vestido de malha é Hamlet - príncipe herdeiro de um reino europeu crivado de intrigas e estratagemas de vingança. Após a morte do pai, envenenado pelo próprio irmão, Hamlet assiste desconsolado ao casamento do tio assassino com a sua adorada mãe. Atormentado pelo fantasma do pai, que lhe revela a dupla traição, o príncipe envereda por caminhos obscuros.

Sanidade e loucura se confundem num thriller potentíssimo. O destino do homem, o significado da existência, a culpa e o valor da vida se apresentam como temas principais da narrativa levando o espectador a um mundo em que as palavras se equivalem às imagens em força e harmonia.

Por vários motivos, o Hamlet de William Shakespeare filmado por Kenneth Branagh é um filme que deve ser visto. A performance fenomenal dos atores, os figurinos e cenários perfeitos, a ambientação primorosa do século XIX, onde o diretor ambientou o filme, e o texto em si já valiam uma ida ao cinema. No entanto Kenneth Branagh consegue cativar também pela inteligência. É especialmente tocante a cena em que Hamlet, já atingido pela loucura, incita a pobre Ofélia (Kate Winslet) a ir para um convento numa sala rodeada de espelhos falsos através dos quais espiões estão a escutar.

Pena não podermos ver a versão integral do filme, rodada em 70 mm com quase quatro horas de duração.