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Em abril de 1923, os irmãos Albert, Harry, Sam e Jack Warner, filhos de um sapateiro polonês radicado nos Estados Unidos, fundaram uma companhia de cinema, com seu sobrenome, sem a menor certeza de que o negócio daria certo. Hoje, é tão fácil quanto desnecessário verificar que deu. E como. Para celebrar seus 75 anos de vida, e de sucesso, a Warner promove, em novembro e dezembro, o "Festival de Clássicos da Warner Bros". Durante 35 dias, em dez cidades brasileiras, serão exibidos os filmes "Casablanca" (1942), "Disque M para Matar"(1954), "Juventude Transviada"(1955), "Bonnie & Clyde" (1967), "Meu Ódio Será sua Herança" (1969), "O Exorcista"(1973) e "Blade Runner" (1982). No Rio de Janeiro, o Festival ocorre entre 20 e 26 de novembro, nas salas do Grupo Estação Botafogo.

Os estúdios da Warner Bros. têm em seu currículo mais de cem longa-metragens premiados nas diversas categorias do Oscar, incluindo a de melhor filme para "A Vida de Emile Zola" (1937), "Casablanca" (1943), "My Fair Lady" (1964), "Carruagens de Fogo" (1981), "Conduzindo Miss Daisy"(1989) e "Os Imperdoáveis" (1992). Mas a longa coleção de estatuetas douradas já havia começado bem antes. Em 1929, primeira cerimônia do Oscar, "O Cantor de Jazz", produzido pela Warner em 1927, ganhou um prêmio especial da Academia por ser o primeiro filme falado da história do cinema. Após incorporar algumas pequenas companhias (e também os estúdios da National First Pictures, construídos nas terras do dentista e fazendeiro David Burbank), a Warner Bros. passa a representar, logo no começo de sua existência, um dos mais expressivos núcleos cinematográficos de Hollywod. Dos filmes de gangsters dos anos 30, como "Little Caesar" e "The Public Enemy", às sofisticadas produções da década de 90, como "Entrevista com o Vampiro", "JFK" e "Assassinos por Natureza", dezenas de subestúdios de som e animação foram erguidos. Mesmo durante a crise da Depressão Americana, não cessaram investimentos na infra-estrutura dos estúdios e na melhoria dos recursos técnicos.

Um fator marcante nas décadas que se seguiram é a presença de grandes estrelas nos filmes da Warner. Entre os anos 40 e 60, seus lançamentos reuniam um elenco peso-pesado de atores e atrizes, que incluía James Dean, Burt Lancaster, Doris Day, Judy Garland, John Wayne, Robert Preston, Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Natalie Wood, Bette Davis e Marlon Brando. Até alguns "peso-moscas" passaram pelos seus estúdios, como o ex-presidente Ronald Reagan, canastrão nas telas e na política. Por trás das câmeras, diretores consagrados como Alfred Hitchcock, Arthur Penn e Sam Peckinpah também brilharam nessa época. Em 1972, a Warner Bros. se juntou à Columbia Pictures com a finalidade de criar um complexo de produção que servisse às duas companhias. Do porte de uma pequena cidade, os "Estúdios Burbank" possuíam departamento de incêndio, serviço de correio, parques, lagos, bancos e restaurantes, além de 34 estúdios para produção e pós-produção, 180 salas de edição, cenários e laboratórios de fotografias. Jamais satisfeita com os amplos recursos de que dispunha, a Warner comprou em 1980 os estúdios Samuel Goldwin, rebatizando-os Warner Hollyood Studios. Nove anos depois, associou-se ao grupo Time-Life, originando a Time-Warner, uma das mais sólidas e poderosas estruturas de mídia do planeta. Mas ainda havia espaço para crescer mais. Em 1990, a Sony comprou a Columbia e tirou-a dos "Estúdios Burbank", que passou a ser de propriedade total e exclusiva da Warner. Atualmente, os limites da companhia ainda se estendem sobre outros meios de comunicação, como rádio, editora, gravadora, vídeo e, sobretudo, televisão, explorada pela Warner desde o final da década de 50.

Mesmo sendo de apenas sete o número de filmes do festival comemorativo da Warner Bros., a oportunidade para os cinéfilos de plantão é imperdível. Afinal, não é todo dia que se pode assistir na tela grande a alguns dos maiores clássicos de todos os tempos, como "Disque M para Matar", "Casablanca" e "Juventude Transviada". Metonimicamente, essa amostra especial já é capaz de dar a medida da importância da Warner, ao longo de seus três quartos de século, para a história do cinema.

ESTAÇÃO PAISSANDU

Sexta 20/11

14h - 19h "Bonnie & Clyde - Uma rajada de balas"
16h30 - 21h30 "Blade Runner, o caçador de andróides"

Sábado 21/11

14h - 19h "Meu ódio será tua herança"
16h30 - 21h30 "Juventude tranviada"

Domingo 22/11

14h30 -19h "Casablanca"
16h30 - 21h30 "Disque M para matar"

Segunda 23/11

14h - 19h "Blade Runner, o caçador de andróides"
16h30 - 21h30 "O exorcista"

Terça 24/11

14h - 19h "Juventude transviada"
16h30 - 21h30 "Meu ódio será será tua herança"

Quarta 25/11

14h - 19h "O exorcista"
16h30 - 21h30 "Casablanca"

Quinta 26/11

14h - 19h "Disque M para matar"
16h30 - 21h30 "Bonnie & Clyde - uma rajada de balas"

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