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Alice Gomes

"Os grandes contatos internacionais, indispensáveis para que a MostraRio seja o que é, são feitos pelo Fabiano Canosa", conta Ilda Santiago, diretora geral do evento e diretora de programação da Mostra Rio. "Este ano, por exemplo", continua, "ele trouxe as retrospectivas do Rossellini e do Satyajit Ray. Fabiano é um integrante fundamental da nossa equipe".

Fabiano Canosa vive em Nova York há 28 anos, mas nunca se desvinculou do Brasil e do cinema feito aqui. Ele
está sempre em contato com o que se faz de melhor no mundo, para poder fazer a programação dos cinemas em que trabalha. E é como programador de cinema que ele  já foi premiado duas vezes pela Associação de Críticos de NovaYork.  Mas, apesar de quase três décadas longe daqui, Fabiano está muito mais próximo ao público carioca do que parece.

Os cariocas começaram a   ver filmes de diretores como Truffaut  e Godard no final dos anos 60,  em  um cinema de arte no Flamengo. Era o Cine Paissandu e seus  freqüentadores mais assíduos foram os  representantes da chamada  "Geração Paissandu" . O "pai"  dessa geração foi Fabiano Canosa,  responsável por  escolher e possibilitar a exibição de todos os filmes que entraram em cartaz  no Cine Paissandu  e na cinemateca do MAM de 66  a 70, quando saiu do Brasil  "num auto-exílio imposto pelas condições anormais de temperatura e pressão do país naquela época", como ele mesmo conta.

Ainda antes de sair do país, Canosa inaugurou o Cinearte UFF, em 68,  e  o programou até 71, mesmo estando distante. Trabalhou também na Difilm, antecessora da Embrafilme, fazendo a publicidade dos filmes. Fiz  toda  a publicidade de  vários filmes do Cinema Novo. "Terra em transe" foi um deles. Através da Difilm conheci e me tornei amigo dos diretores com os quais trabalhei, como por exemplo Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos "diz ele.

Em 71, depois de ter morado um ano na França fazendo diversos trabalhos, foi morar em Nova York e trabalhar  na distribuidora New York Films, fazendo a publicidade dos filmes de Bresson, Bertolucci e Godard, entre outros. " Ainda na New York Films promovi um festival de filmes brasileiros e tive a oportunidade de rever alguns amigos, meu encontro com Glauber em Nova York foi emocionante."

Canosa foi convidado a dar aulas na universidade de Bufallo, nos EUA, sobre  Cinema Latino e sobre as minorias no cinema americano, em 73. "No mesmo ano,  fui  programador do Screnning Room, um cinema  onde lancei filmes de Renoir, Luis Malle, Truffaut, Glauber, Nelson Pereira e Win Wenders . Com este emprego ganhei meu primeiro prêmio, dado pela Associação de Críticos de Nova York, de melhor programação do ano, além de ter  me tornado amigo de boa parte destes diretores com os quais trabalhei."

De 78 a 83, ele foi o "embaixador do cinema brasileiro ": era o representante da Embrafilme nos Estados Unidos. Canosa lançou em Nova York filmes como "Dona Flor seus dois maridos", "Bye Bye Brasil", "Pixote" e "Chica da Silva". "Neste mesmo período também trabalhava no Public Theatre , a casa de cinema de arte mais interessante de NovaYork. Lancei mais de dois mil filmes enquanto trabalhei lá, isto é , de 78 a 95."

O segundo prêmio de Melhor Programação do ano  que Canosa ganhou foi em 96, quando começou a trabalhar no Antology Film Archives. Atualmenta, ele cruza novas fronteiras e se prepara para produzir um filme na Lituânia.

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