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Polônia em cena

Alice Gomes

A cinematografia polonesa pode não ser muito conhecida do público brasileiro mas é mundialmente premiada e apreciada. Esta semana seus admiradores cariocas têm motivos para comemorar e quem a desconhece pode se preparar para ver algo novo e marcante. A embaixada da Polônia e o Grupo Estação Botafogo apresentam Ventos do Vístula – Mostra do Cinema Polonês, que acontece de 18 a 24 de junho na sala 3 do Espaço Unibanco de Cinema-Rio, sempre `as 21h30 com entrada franca.

A mostra é uma iniciativa da embaixada polonesa no Brasil e já passou por São Paulo, Curitiba e Brasília. O objetivo do evento é apresentar a importância e a tradição do cinema polonês ao brasileiro e para isto a curadora, Urszula Groska, escolheu sete filmes de sete diretores fundamentais da história moderna do audiovisual polonês, são eles: Crônica dos Incidentes Amorosos, de Andrzej Wajda ; Febre, de Agnieszka Holland; Amador, de Krzystof Kieslowski ; Camuflagem, de Krzystof Zanussi ; Ao Banco, de Juliusz Machulski ; A Evasão do Cinema "Liberdade", de Wojciech Marczewski ; e O Relicário dos Grandes Desejos, de Slawomir Krynski. Todos os filme são inéditos no país, com exceção de Amador que foi exibido na Mostra de São Paulo de 1980, lançado no Rio em 1992 e reexibido em 1996.

Pequena história do cinema polonês

A Polônia foi um país pioneiro no que diz respeito ao cinema e já no final do século passado, ainda antes da consagração pelos irmãos Lumiere, inventores como Piotr Lebiedzinski e Kazimierz Proszynski criaram formas de imagem em movimento. Uma pequena indústria de filmes mudos se desenvolveu pouco depois do estabelecimento da República Polonesa em 1918, mas não resistiu ao surgimento do cinema sonoro e foi sufocada. Entre 1929 e 1930 cineastas locais criaram a Sociedade dos Devotos do Cinema Artístico, a START( sigla do nome polonês) e se propunham a fazer filmes de arte ou de temas sociais, um programa inovador para uma época em que ainda não se falava em movimentos como a Nouvelle Vague. A START teve um efêmero período de vida e já em 1935 foi dissolvida, mas mesmo suas propostas influenciaram muitos cineastas de gerações posteriores.

O cinema polonês quase morreu durante a II Guerra, mas renasceu das cinzas com câmeras e equipamentos abandonados em cidades destruídas, e suporte econômico do governo soviético. No momento imediatamente após o fim dos conflitos os filmes sobre a guerra dominavam a produção local. Neste período os nomes que mais chamaram a atenção foram a cineasta Wanda Jakubowska e o diretor Aleksander Ford.

Em 1948 foi criada a Escola de Cinema de Lodz, onde estudaram muitos dos mais importantes cineastas poloneses modernos, como Andrzej Wajda, Krzystof Kieslowski, Krzystof Zanussi, e Roman Polanski, este último se distanciou cedo do país e teve carreira internacional filmando na Holanda, na França, na Inglaterra e em Hollywood.

Dos diretores que escolhidos para a mostra o primeiro a fazer sucesso internacional, já na década de 60, foi Andrzej Wajda, um forte opositor do stalinismo em seu país. Em seus filmes Wajda criticou a influência soviética na política polonesa e deu visibilidade ao conflito do movimento do sindicato Solidariedade nos filmes O Homem de Mármore (1976) e O Homem de Ferro (1981). Crônica dos Incidentes Amorosos (1985) faz parte de uma outra linha dentro da obra de Wajda que são as adaptações de obras de autores poloneses. Crônica é baseado no romance homônimo de T. Konvicki e fala sobre o despertar dos sentimentos amorosos e da descoberta dos primeiros desejos e suas possibilidades por um grupo de ginasianos.

Agnieszka Holland foi assistente de Wajda e começou a carreira independente em 1975. A diretora tem preferencia por temas históricos e verdadeira fascinação pelo Holocausto, ela é judia por parte de pai e perdeu quase toda a família durante a guerra, sobre o tema fez um de seus mais celebres filmes; Filhos da Guerra. Febre é baseado no romance A História da Bomba, de Andrzej Strug que conta a atuação dos membros da organização de luta do Partido Socialista Polonês, antes, durante e dois anos depois do colapso da revolução de 1905.

Na década de 90 o mais falado de todos os diretores vindos da Polônia foi Kieslowski que em 1988 chamou a atenção no Festival de Cannes com Não Matarás. O diretor morreu em 1996 e seus últimos trabalhos foram os filmes da Trilogia das cores (1992/94) : A Liberdade é Azul, A Igualdade é Branca e A Fraternidade é Vermelha. A trilogia foi a definitiva consagração de Kieslowski como um dos grandes autores do cinema mundial. Amador (1979) é seu segundo longa de ficção e mostra a mudança na vida de um operário feliz que compra uma câmera para filmar o nascimento de sua filha e começa a perceber que pode registrar e criticar a realidade que o cerca através de sua câmera. A experiência cinematográfica lhe traz celebridade e muda sua vida.

Krzystof Zanussi começou a carreira na televisão na direção de documentários e curta-metragens. No final dos anos 60 se estabeleceu como um dos grandes diretores modernos de seu país e focalizou sua atenção para filmes com temas políticos. Camuflagem (1976) é sobre a displicência de um professor assistente que prejudica um concorrente de um concurso de pesquisas lingüisticas durante um curso universitário de verão. A partir daí o caráter de todos na universidade será posto `a prova.

Ventos do Vístula traz ainda mais três filmes: Ao Banco (1981), de Juliusz Machulski; A Evasão do Cinema "Liberdade" (1990), de Wojciech Marczewski ; e O Relicário dos Grandes Desejos (1997), de Slawomir Krynski.

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Joanne Whalley e Christopher Lambert em Complô contra a liberdade

 

 

 

 

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A dupla vida de Veronique

 

 

 

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Europa, Europa

 

 

 

 

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Homem de ferro

 

 

 

 

 

 

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A liberdade é azul