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Em seu longa-metragem de estréia, "Iremos à Beirute", Marcus Moura mistura futebol, praia e descendentes de libaneses para contar uma história de amor imprevisível e surpreendente. À primeira vista aleatória, essa combinação tem explicações muito simples.

O futebol foi o ponto-de-partida do roteiro, como explica o diretor: "Eu tinha a idéia de fazer um filme sobre um jogo de futebol que durasse vinte anos, e cujo resultado interferisse na decisão amorosa central da trama". A praia é na verdade o luminoso cenário de Fortaleza, cidade pela qual o cineasta, que é cearense, se diz apaixonado. E os descendentes de libaneses são fruto da nacionalidade mais comum entre os imigrantes estrangeiros no Ceará. "Eles são um forte dado cultural. Assim como muitos turcos vivem no Ceará, como mostram os livros de Jorge Amado, muitos libaneses moram no estado onde nasci", reforça Marcus.

Agora, quem quiser saber porque a história de amor é imprevisível e surpreendente, deve assistir ao filme no Espaço Unibanco na quinta-feira, 1, às 17h30m ou às 22h. Para inofensivos fins de sinopse: Salma (Giovanna Gold) resolve terminar uma partida de futebol interrompida duas décadas antes pela morte de seu pai Gibran (Guilherme Karam), técnico do time Ajax. Um a um ela reencontra os os antigos integrantes da equipe, que concordam com sua idéia, exceto seu irmão Aziz (Ilya São Paulo). O filme alterna presente e passado, enfocando a dúvida de Salma, tanto na fase adolescente quanto na adulta, em fazer sua escolha afetiva por um dos jogadores após o fim do jogo.

"Eu me interesso pelas dificuldades dos relacionamentos, onde o homem e suas paixões são o centro da trama. Eu não tenho medo da ingenuidade, de ser piegas", diz o diretor, que considera a exibição de "Iremos à Beirute" na MostraRio 98 uma espécie de exercício de avaliação crítica: "Quando ele passou na Premiere, eu identifiquei algumas coisas que talvez, se tiradas, poderiam deixar o filme mais leve".

Morando em Cuba de 1986 a 1990, Marcus se formou em direção pela primeira turma da Escola de Cinema e Televisão de Havana. "A Escola foi fundamental para minha carreira, pois na época ela era considerada uma das melhores do mundo. Muitos diretores importantes estavam lá nesse período. No exercício de montagem, o meu orientador era o Costa-Gavras". Para o cineasta, o cinema brasileiro experimenta um processo positivo de revigoramento: "Eu acho que o preconceito em relação ao filme nacional está diminuindo. Hoje temos uma grande diversidade de novos diretores, e isso é bom porque amplia as possibilidades de temas e formas da cinematografia nacional".

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Guilherme Karan em
Iremos à Beirute